segunda-feira, 21 de junho de 2010

Melhor assim

Não sei se te lembras de quando caminhavas rápido, de quando havia tempo e nunca havia tempo não sei se te lembras de mim sei que é melhor assim foste tu quem me ensinou que é melhor assim e perdi tanto tempo a contrariar-te que só me resta concordar contigo. Ainda assim concordo a mal como tu sabes porque não desisto de lutas com nome de causa maior. O que faço agora tem a ver com cansaço esse teu cansaço que se colou a mim também, ainda que pudesse inventar novas noites e risos límpidos não quero mais fazê-lo só. Ou então não sou apenas paciente. Sei que estás feliz dessa felicidade clara que é toda ela razão o teu melhor assim. Nunca gostei do foi melhor assim da gente que moribunda enfim deixa os que a amaram. Não é melhor assim porra nenhuma seria melhor exactamente o contrário a vida e a saúde por isso te digo que concordo contigo pelo cansaço que por mim virava o mundo ao contrário e fazia valer a força do homem para criar novos conceitos para experimentar de outra maneira para da cinza erguer uma árvore. Para acreditar. Mas agora que não é tarde nem cedo que é apenas mais um dia deixo-te fazer isso e deixo-me descansar.

Contas

Foi ontem que de vestido vermelho e de braço dado contigo atravessei a rua e tudo podia ser. Foi ontem?

sábado, 22 de maio de 2010

Amor

Ensinaram-me a amar como se não houvesse amanhã. Com explosões de cor, de desejo, de paz, de ternura, de magnitude. De todas as vezes que amei (e que benção terem sido algumas), perdi-me, sofri, planei, escrevi. Todos os meus amores me fizeram melhor e apesar de um deles não me falar e de outro não me perdoar, lembro-me de todos eles com o coração cheio. Deram-me tanto, e o mundo à minha volta diz-me que me deram pouco. Deram-me oportunidade. Foram objecto, causa do meu sentimento.
E por terem sido todos eles tão diferentes, estes meus amores, fizeram-me acreditar: que eu posso amar até o inimaginável. Provaram-me o que sempre pressenti: que preciso de saber e de sentir tudo desde o zero ao cem, de amar o cego e o visionário, o pateta e o génio, o louco e o sensato, o poeta, o belo, o feio, o fraco e o forte.
Não existe amor errado, eu sei, Renato Russo. Não vês?

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Quase

Não aconteceu nada de grave. Foi acontecendo. Começou muito longe, do outro lado do Atlântico. Estranhei não ter mensagens, estranhei a não saudade, a frieza, o logo se vê. Entre uma capirinha e um mergulho na piscina, o meu coração murchou. Depois, foi sempre a perder. Quanto mais andava, mais me perdia. Vocês sabem lá. Nem ele sabe.
Aprendi. Claro que aprendi. Que tenho direito a tudo. Se perdi? Perdemos os dois.
Todas as histórias de amor são iguais.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Tanto e tão pouco

"Todos nós temos um limiar para suportar a dor, o sofrimento, a frustração sem que algo mais grave nos aconteça (...)."

Dizem.

Todos temos de suportar a dor, o sofrimento e a frustração. E é sempre grave. Cansei-me disso. Conselhos, sorrisos, drogas de supermercado, anotações, abraços e confidências. Promessas. Conversas noite dentro, monólogos, braços de ferro, perguntas, tentativas de explicações.
Não me perguntem nada porque não vou responder. Digo-vos isto: uma música, um livro, um calor fora de tempo. Bastam.

O meu nome é Imaculada

Eu tinha um blogue. Chamava-se Verdade ou Veneno. Desapareceu. De um dia para o outro. Sumiu-se. Deixou de existir sem que eu lhe desse ordem de soltura. Noutro tempo, em outra vida, ficaria irritada. Hoje não. Até as coisas que nos parecem nossas podem sumir-se. Porque, no fundo, nada possuímos. Nem mesmo a memória.
Tenho pena. Apenas por isso. O meu (e de alguns que me seguiam) Verdade ou Veneno não me deixava esquecer os pormenores. Tinha lá dentro cheiro. Talvez um dia volte. Ou não.

Deste lado da rua continuo a ser Imaculada.