sexta-feira, 20 de dezembro de 2013
A sério?
Ano mau ano mau que parecias tão bom tenho mesmo de aprender tudo até ao fundo? Ano mau, enrolaste-me bem, quase que eras o regresso de mim, mas não és. Continuo com medo quero comer um Pai Natal de chocolate e gostar. Hoje, na estrada, percebi que me abanaste e cuspiste para o mesmo sítio e esqueci-me ano mau que quem eu amo está tão triste que quem eu devia proteger está tão triste ano mau, que bem que me enganaste ano mau. Sinto saudades do cheiro a perfume estamos todos a ficar pequeninos como naquele livro de Boris Vian. Tenho saudades do meu pai, de pão com chourição, e da minha avó. Tenho saudades das minhas gavetas pequenas e dos meus sonhos possíveis. Não faço nada bem.
segunda-feira, 2 de dezembro de 2013
Tarde
Disseste que era como as feridas que demoram mais tempo a sarar (alguém aqui comenta que ela ficou mais magra e eu gostava de desaparecer para debaixo de uma manta às vezes não consigo fingir nem um bocadinho) e eu não sei se é porque agora tenho 35 ou só porque antes tinha tempo. Preciso de tempo para saber. Não nos podem morrer amores ou sonhos e continuarmos a ouvir o despertador. Não podemos. Eu preciso de tempo e não tenho tempo algum. Dizem-me que não, dizem vai continua, mas é urgente parar ainda que mais nada pare. Sinto-me tantas vezes no meio da rua como se o ruído do mundo fosse a turbina de um avião e continuar a dizer bom dia e boa tarde ter de apertar as botas e usar um vestido (agora tenho de pensar no jantar e não posso, tenho outras coisas para fazer como ficar sossegada a perceber). Preciso de tempo para saber das coisas, tempo sem relógio ordem confusão noite e dia roupa lá fora segunda e sábado Natal e aniversários estou farta de calendários. Chega (e o miúdo sai às quatro). Porra.
segunda-feira, 25 de novembro de 2013
Hora de jantar
Como é que mudo o mundo se ele tem de jantar às oito? Talvez não lhe dê o jantar e ele venha comigo mudar o mundo. Desconheço se com ele também me foi dado outro poder, o de o levar comigo para o outro lado. Este lado. Não sei se estou do lado certo então que direito tenho de o impedir de viver conforme as regras? Não, não posso mudar o mundo à hora de jantar. Talvez depois. Chamo gente cá para casa e ele acorda (as crianças têm de dormir cedo, dizem). Às vezes, faço o que me dizem. Muitas vezes, por ele, outras porque não sei. Não posso mudar o mundo nem apaixonar-me por ti, porque ele janta às oito.
segunda-feira, 11 de novembro de 2013
Já lhe sinto a falta porque
ele era pior do que eu e fazia-me lembrar de mim mesma. Éramos amigos acho, mas, juntos, estávamos sempre sozinhos. Ele nunca me amou talvez tenha gostado de mim de vez em quando. Mas eu nunca seria, assim como ele nunca seria. Pertencia ao que não se conta e eu vou ter saudades dele para sempre.
sexta-feira, 8 de novembro de 2013
Pouco
Tens de me dizer que sou bonita acreditar nisso admirares-te por isso és tão bonita cair-te assim da boca e ser verdade.
quinta-feira, 7 de novembro de 2013
O que falta (ainda bem?)
Quando estamos o que trago é tudo aquilo de que preciso e tudo aquilo que mais temo. O que me falta? O que te falta? Porquê? Finge vamos fingir porque se fingirmos é mais fácil não posso continuar a dizer alto que isto é nada. Mente-me. Só para me agradar.
segunda-feira, 4 de novembro de 2013
Ainda não
O que faço agora que tudo parece mais leve é como trazer uma nódoa negra estás no fundo do meu riso. Eu nunca te quis destruir e aí estás tu vazio e sabes eu estava apenas confusa como uma criança. No entanto, era (sou) uma mulher. O que faço agora que existem jardins e gargalhadas fáceis eu sei eu sei que não são nada. Mas eu vim da guerra e matei-te como dizes deveria ficar à tua porta e colocar flores sobre nós? Continuo a ser má perdedora. A querer-te no mesmo sítio enquanto não sei.
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