quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Claro

Numa nesga qualquer reencontrámo-nos combinámos coisas bonitas amenas ainda a medo devagar com jeito e cuidado e claro que a vida logo tratou de espatifar tudo há placares de perigo em tudo o que fazemos há buracos zonas sem rede coisas estúpidas. Por nada nada se resolve por tudo tudo se complica. Deixou de ter piada. Já não me apetece rir. Eu também tenho uma cama e um fogão e muitas outras coisas que agora já não sabes quais são.

sábado, 19 de outubro de 2013

OK

Então desisto. Ganhem todos já não quero ganhar não me interessa a justiça fiquem os maus os cínicos e prepotentes os que não sabem mas fingem saber os que mandam fiquem esses a mandar. Não vou responder aliás nem vou sequer, calada, continuar a combater. Senhores, quero lá saber, desisto se isto das coisas que sei afinal nada valem agora também não vou para a rua gritar desisto desisto desisto. A mim não me apanham com faixas nem com lágrimas não vou aviar receitas de anti-depressivos porque isso ainda seria combater. Não sirvo para prisioneira de guerra. Vou desistir da maneira invisível até que me apague existem alturas em que nos temos de resguardar. Resguardo-me. Não vou contar aos amigos combinar cafés saídas e livros para esquecer. Não se esquece. O que esqueço, agora, é o corrector. Não me apetece esconder o cansaço o sono e a infelicidade. Desisto como quem já não se importa se chove ou se faz sol. Se chover depois lavo o cabelo se transpirar é pior mas tão cedo não chega o calor. Não há melhor estação do ano para desistir. Fiquem com tudo até comigo.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Beleza

Existem mãos que nos fazem bonitas como se transformassem a nossa pele em milagres hoje que é outro dia as minhas pernas são só as minhas pernas e têm mais anos do que a verdade os meus braços servem para carregar coisas às vezes quando lhes passo creme fico espantada por continuarem aqui assim como o meu cabelo. Existem mãos que nos suavizam o cabelo andamos na rua e somos melhores. Os gestos que se repetem no banho é como a vida inteira pesada em cada movimento e quando olhamos para o espelho baças e desencontradas percebemos que a beleza a coragem a força herdamo-las dessas mãos que desaparecem. Até quando existiremos nós?

domingo, 6 de outubro de 2013

Filme

É uma estranha sensação descobrirmos que somos nós os maus da fita. É um bocadinho cómico e um bocado trágico afinal não queremos ser sempre dos bons? Sou a má da fita. Nada a fazer.

segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Quando é que foi?

É preciso energia para amar. Encontrei uma caixa com coisas que me deste. Não quero encontrar caixas não nos quero com pó. As coisas de todos os dias foram elas que me roubaram de ti ou foram elas que me disfarçaram a verdade? Acho que fomos tantas vezes felizes foi a caixa que me lembrou ficámos cínicos e doentes acho ficámos onde afinal? É preciso boa fé para amar e eu deixei de acreditar em muita coisa tenho caixas o que é que tu tens? Não digas bem de mim não digas nada se puderes fica parado nesse instante até que eu volte a acreditar não faças nada peço-te sou egoísta tenho a certeza que isto não são só palavras que ficavam aqui bem. Mas é mentira. Quando é que as coisas que me deste ficaram em caixas debaixo de cobertores e de roupa que já não me serve? Ainda me serves? Eu acho que sim. Serves-me tão bem.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Inverno

No meio do amor vivemos magros de tanto comer. De tanto sorver. Não existe uma manhã igual. Pele. Cheiro de folhas no chão. Outono e outras coisas. Há quanto tempo não estou apaixonada por ti? Como um urso, neste Inverno que vai demorando, hiberno. A dor cansa e mói. Quando falo de amor toda essa urgência que era. E não trago uma única pena em mim, sabias? "Oh insensata busca, ingenuidade, e a dor infinitamente triste de perdê-la". Ou qualquer coisa assim.

segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Neblina

Há uma neblina em Setembro que talvez sejam os meus olhos cansados. Continuamos em frente. No centro do teu peito existe uma árvore queimada. Eu tenho a mão do menino na minha e, por isso, o mundo não me mete medo. Quando me sentar numa pedra, daqui a tantos e tantos Verões, eu saberei das folhas da árvore em frente à tua janela e encontrarei todas as respostas.