quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Isto

Fingir. Sempre. E calar-me.

sábado, 10 de janeiro de 2015

Nem te digo

Carrego-te no peito como a foice mais perfeita que já senti.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Desconhecer

O que ficou e o desengano o absoluto deserto toda a loucura a dor isso será um segredo não contarei então pode ser que um dia na curva dos meus olhos tudo deixe de ser o que foi. O grande medo é saber que mesmo depois de muito irá voltar a doer e que não se esquece não se esquece tudo o resto fica escondido. Não vale a pena dizer que ainda há tempo quando já não há tempo esta é a minha história há-de ser a minha história sei isso como sei os dedos dos meus pés e todas as vezes que procurei alguém no espelho do retrovisor. É isto e eu sei disto por isso não quero tudo isso que me contam. Eu sei.. Eu sei. Eu sei. Queria tanto não saber.

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Eu sei e ainda assim vou. E, depois, no regresso, há que pagar todos os dessonhos.

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Não sei fazer bolos

A minha cozinha é um sítio que me conhece descasco as batatas e choro para dentro da panela. Com a barriga encostada ao lava louça penso como fizeste avó como fizeste o jantar todos os dias com o coração a doer o medo a vida ao contrário? Como fizeste avó? A minha cozinha conhece todos os meus falhanços.

sábado, 22 de novembro de 2014

o amor é

o amor é bruto tem um cinto nas mãos o amor é torto tropeça e não me deixa dormir à noite o amor é velho e não me deixa fazer barulho o amor é rico e eu só uso roupa em segunda mão o amor é normal e eu sou estranha e penso difícil e preciso de imaginar o pior para que quando tu não vieres eu não morrer tu me bateres eu não morrer tu num caixão eu não morrer tu e a agulha eu não morrer tu o veneno para ratos eu não morrer tu a odiares-me eu não morrer tu tu tu. o amor.

Nunca é para sempre

Que tudo desapareça. Porque eu lembro-me de tudo. São como homenzinhos com picaretas na minha cabeça e no meu coração imagens que se repetem e repetem uns pés umas pernas uma camisa preta o café a rua as árvores em frente o Verão um vestido branco dias e dias e dias e dias e dias e dias. Tem de desaparecer. Os meses não acabam é uma loucura não sei como conseguem, os outros, continuar a caminhar. O medo e as dúvidas as certezas. As certezas. Que desapareçam os copos de cerveja e as noites as músicas que não sei os lençóis azuis escuros e os outros. a cozinha a tábua de alumínio onde se corta o pão a torradeira o meu coração partido o quarto ao lado o quarto ao fundo as mesas do café. Que morra que acabe que seja tudo há tanto tempo há tanto tempo e é agora. Que terminem os pesadelos deixa-me descansar deixa-me descansar deixa-me descansar.