terça-feira, 11 de novembro de 2014

Menina

Amava-o. Houve um dia em que no meio do círculo da dor e da raiva, esperava por ele. Ouvi a chave na porta. O meu nome era esperança e certeza. Não sei se o que percebi primeiro foram os passos trôpegos ou o olhar vazio. Era ele e não era ele. Em vez de me salvar, como eu esperava, empurrou-me para o centro do círculo. Hoje senti o mesmo. Achava que quando crescíamos, o horror terminava. Fui uma menina.

sábado, 8 de novembro de 2014

?

Descobri, ontem, que tens razão. Já andava a concordar contigo, sem te dizer ou me dizer, mas ontem percebi que não sou doce que me esqueci de como é ser isso não sei bem porquê mas incomoda-me um bocado acharem que sou assim porque me fizeram mal fizeram-me mal? Sei lá. O que é isso do Mal ou Bem, o que é ser doce, o que é que eu faço de tão estranho digo coisas normais eu acho que são normais as pessoas acham piada ficam a olhar para mim espantadas e eu não percebo juro que não percebo ficam confundidas e eu gostava de vos dizer que vocês, são vocês que me confundem.

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Até ao fim.

Às vezes tenho medo que se alguém olhar para dentro dos meus olhos te veja a ti e ao teu riso e eu devia ficar feliz com isso não é o que dizem vamos guardar as coisas boas não quero que estejas dentro dos meus olhos em lado algum antes conseguias juntar todos os bocados agora só quero discutir contigo tenho esperança que os meus gritos acabem com o resto e nunca acabam. Só sei lutar.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Sempre, não.

E não haver um sitio ermo onde se possa gritar.

domingo, 19 de outubro de 2014

Mesmo que não venha mais ninguém, ficamos só...

Deixa-me ficar um bocadinho chateada contigo. Assim não podem existir muitas saudades. O dia a ficar mais claro quando me acordavas de manhã. Os nossos risos juntos contra a vida que consegue ser uma cabra. Agora, entraste tu no comboio e eu nem sequer me posso despedir de ti. Posso e não posso. Quero contar-te coisas - tenho tanto para te contar, para te dizer. Tens tanto para me contar e para me dizer. O mar era tão imenso e eu nem o consegui olhar. Tu estavas do lado do rio e eu do lado do mar. Foi sempre assim porquê? Estou tão farta de saudades e de impossibilidades. Acho que contigo eu era qualquer coisa de que me tinha esquecido. E, sabes, já não me lembro. Porque tive de me chatear um bocadinho. Para te dizer um adeus estúpido e doente. a vida, que consegue ser uma cabra. Já te tinha dito? Houve alguém, um dia, que decidiu que eu teria uma armadura de ferro. Então, a minha força seria um talento. Quero ser fraca como toda a gente. Mais fraca ainda. Não consigo. Então, chateio-me um bocadinho e não te digo que tenho saudades. E pena. Muita pena.

sábado, 4 de outubro de 2014

Continuar

Aparece aí, serve dois copos, não me dói nada. Não me apetece ouvir-te, deixa-me só fechar os olhos. De manhã, não vou acordar para me despedir. Mas, obrigada.

Abraço-os

Hoje a lua está cortada ao meio e eu meia volta dei. Soube tão bem, sonhar. Era tão bom, acreditar. Aqui neste canto neste lado da rua existem fantasmas e eu gosto de dançar. Então danço. A noite é muito longa, como já te disse, e eu tenho muitos demónios também. Este veneno que herdei e que alimento. É uma defesa, tu sabes. Enquanto não vens tu de ti outro de ti alguém assim que me olhe para lá das confusões e dos medos eu beberei a vida como um copo de shot. Então, meio anestesiada, acordarei a saber que o céu ainda não é profundamente azul e que os meus caminhos serão sempre duros. Abraço-os, como sempre. E afago os demónios que me rosnam aos pés. Hei-de amansá-los e um dia seremos os melhores amigos.