sábado, 4 de outubro de 2014

Abraço-os

Hoje a lua está cortada ao meio e eu meia volta dei. Soube tão bem, sonhar. Era tão bom, acreditar. Aqui neste canto neste lado da rua existem fantasmas e eu gosto de dançar. Então danço. A noite é muito longa, como já te disse, e eu tenho muitos demónios também. Este veneno que herdei e que alimento. É uma defesa, tu sabes. Enquanto não vens tu de ti outro de ti alguém assim que me olhe para lá das confusões e dos medos eu beberei a vida como um copo de shot. Então, meio anestesiada, acordarei a saber que o céu ainda não é profundamente azul e que os meus caminhos serão sempre duros. Abraço-os, como sempre. E afago os demónios que me rosnam aos pés. Hei-de amansá-los e um dia seremos os melhores amigos.

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

É tarde

O que fazem todos vocês à noite? Escrevem cartas? Aninham-se? Discutem? Esquecem? As noites não são para dormir, nunca foram, não percebo esta sede de aproveitar as manhãs, o mundo é muito confuso às nove e eu fico sempre mais frágil ao acordar. Nunca percebi se as noites são dos felizes ou dos infelizes.

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Está tudo bem.

A tua falta é como se menos um lugar à mesa uma fotografia que temos de esconder para não doer um perfume que não usamos porque nos lembra. Mas as saudades de ti são bonitas como tudo. Sabias?

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Não te esqueças porque eu não me esqueço

Tu tiveste o Verão. Eu não.

É

Às vezes, lembro-me. É como um segredo demasiado tudo que não sei. Nem posso.

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Outono

De repente o mundo calou-se. Na manhã cinzenta os carros as horas e tudo passou como se voasse, como se o Verão tivesse sido há muito tempo e eu já soubesse todas as lições. Saberei?

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Promete

Quando tu passavas, eu, que sabia nada de nada, sabia isto: os teus passos certos no chão, a forma como o teu olhar mais cinzento que azul se demorava nas coisas. Todos te viam o azul dos olhos, menos eu. Em ti sempre houve mais cinzento, todas essas coisas que te travam e te fecham esses muros e essas ruínas que tu não sabes de onde chegam. Eu sabia. Não me perguntes como eu sabia. Depois, houve um dia em que me sentei no teu colo e ouvi-te falar de coisas que não falavas e apesar do rio e da luz que explodia no céu eu sabia, de novo, que nunca tinha estado tão certa. Quero dizer-te: "Não me deixes aqui a saber de ti, de novo, sem poder alcançar". Mas, se assim tiver de ser, promete-me que não ficarás com menos do que amor.