terça-feira, 15 de abril de 2014

montanha russa

Se eu pudesse sentir menos, saber menos, ter visto menos. Se tudo o que vejo durasse apenas o momento inteiro e não fosse preciso a minha alma desatar-se dos dias uma e outra vez.

quarta-feira, 9 de abril de 2014

nunca menos

Porque a vida dizem que é isto a mãe está a trabalhar é bom assim sempre descansa e o miúdo está na avó mimo brincadeira amor também. a saudade não obedece a coisas racionais férias calendário a saudade é igual sempre. um medo permanente de perder um vazio qualquer menos profundo quando dizemos, a um mesmo tempo, pelo telefone, amo-te.

sábado, 22 de março de 2014

Manhã cedo

Hoje acordei com o teu rosto Toda a noite esteve comigo E acordei cedo O teu rosto era triste E o meu coração doía Queria explicar-te muitas coisas E deixar-te chorar no meu colo Tens cabelos brancos agora E o tempo passou também por nós É uma afronta O tempo não deveria passar por gente como nós Precisamos de tempo Sinto falta das tuas mãos tão quentes E vejo-te sozinho Mergulhado na dor que reconheço. Hoje acordei com o teu rosto Levo-o comigo E afago-o Não tenho palavras para ti Ou promessas Há muito que me desacreditaste Levo-o no coração e na alma Tão puros E afago-te levemente o rosto E espero que quando acordares Te recordes vagamente de um sonho Em que eu te afagava o rosto E te levava comigo Em paz.

terça-feira, 11 de março de 2014

Março

Ei, conheço-te há tanto tempo sabes, antes de ter visto. E tu, tu igual. Agora que estamos velhos e já fizemos tudo, podíamos brincar à vida real e aceitar aquilo que é. Amor.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Triste tristeza

Quanto tempo dura a tristeza? Quanto tempo, quanto tempo? E se ficamos nela para sempre como aquelas mulheres de negro como as velhas nas janelas como as pessoas que deixaram de ser bonitas de um dia para o outro? Tenho tanto medo. Nunca fui tão triste nem durante tanto tempo. Eu achava que nem sabia ser triste ninguém sabia que eu podia ser triste assim. Quanto tempo quanto tempo quanto tempo?

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Guerra fria

Os exércitos marcham em direcção ao futuro, que saberão eles que eu não sei? O que viram eles, que eu não tenha visto? Marcham numa cadência impossível com palavras que lhes ensinaram as mães sem rugas - ainda não tinham rugas e deviam ser felizes. Exércitos inteiros, com palavras e destinos que eu não sei imaginar ou sonhar e segredos. Eles têm segredos? Têm. E esquecem-me.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

saudades

de nadar de ter a certeza de tantas pessoas. Do comboio de revistas e livros no café de mim. de vestidos bonitos e sapatos vermelhos de regueifa broa de milho cevada. de ti pai TANTAS. do jornal da auto-estrada de roupa passada e de rua de esperança. de não ter medo de uma agenda de filmes para ver de cerejas de verão sem doer de calças largas na cintura de terra do Alentejo de mim de ter a certeza. Saudades.