quarta-feira, 9 de abril de 2014
nunca menos
Porque a vida dizem que é isto a mãe está a trabalhar é bom assim sempre descansa e o miúdo está na avó mimo brincadeira amor também. a saudade não obedece a coisas racionais férias calendário a saudade é igual sempre. um medo permanente de perder um vazio qualquer menos profundo quando dizemos, a um mesmo tempo, pelo telefone, amo-te.
sábado, 22 de março de 2014
Manhã cedo
Hoje acordei com o teu rosto
Toda a noite esteve comigo
E acordei cedo
O teu rosto era triste
E o meu coração doía
Queria explicar-te muitas coisas
E deixar-te chorar no meu colo
Tens cabelos brancos agora
E o tempo passou também por nós
É uma afronta
O tempo não deveria passar por gente como nós
Precisamos de tempo
Sinto falta das tuas mãos tão quentes
E vejo-te sozinho
Mergulhado na dor que reconheço.
Hoje acordei com o teu rosto
Levo-o comigo
E afago-o
Não tenho palavras para ti
Ou promessas
Há muito que me desacreditaste
Levo-o no coração e na alma
Tão puros
E afago-te levemente o rosto
E espero que quando acordares
Te recordes vagamente de um sonho
Em que eu te afagava o rosto
E te levava comigo
Em paz.
terça-feira, 11 de março de 2014
Março
Ei, conheço-te há tanto tempo sabes, antes de ter visto. E tu, tu igual. Agora que estamos velhos e já fizemos tudo, podíamos brincar à vida real e aceitar aquilo que é. Amor.
terça-feira, 25 de fevereiro de 2014
Triste tristeza
Quanto tempo dura a tristeza? Quanto tempo, quanto tempo? E se ficamos nela para sempre como aquelas mulheres de negro como as velhas nas janelas como as pessoas que deixaram de ser bonitas de um dia para o outro? Tenho tanto medo. Nunca fui tão triste nem durante tanto tempo. Eu achava que nem sabia ser triste ninguém sabia que eu podia ser triste assim. Quanto tempo quanto tempo quanto tempo?
sábado, 22 de fevereiro de 2014
Guerra fria
Os exércitos marcham em direcção ao futuro, que saberão eles que eu não sei? O que viram eles, que eu não tenha visto? Marcham numa cadência impossível com palavras que lhes ensinaram as mães sem rugas - ainda não tinham rugas e deviam ser felizes. Exércitos inteiros, com palavras e destinos que eu não sei imaginar ou sonhar e segredos. Eles têm segredos? Têm. E esquecem-me.
quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014
saudades
de nadar de ter a certeza de tantas pessoas. Do comboio de revistas e livros no café de mim. de vestidos bonitos e sapatos vermelhos de regueifa broa de milho cevada. de ti pai TANTAS. do jornal da auto-estrada de roupa passada e de rua de esperança. de não ter medo de uma agenda de filmes para ver de cerejas de verão sem doer de calças largas na cintura de terra do Alentejo de mim de ter a certeza. Saudades.
terça-feira, 18 de fevereiro de 2014
Depois
Sabes quantas vezes escrevi o teu nome? (ainda escrevo o teu nome) Segui pelo caminho para lá da esperança, saltei o muro (tenho medo). Tu, ris. Pela manhã, tu ris. Gostava de rir contigo, mas não posso rir muito, rir de tudo ou esquecer. Escrevi o teu nome em mais de mil dias, foram mais, muitos mais e tu ris, pela manhã, como um pássaro sozinho.
Subscrever:
Mensagens (Atom)