segunda-feira, 27 de janeiro de 2014
Nada
Cuida de ti cuidamos falta-nos muito olha bem e cuida de ti cuidamos as janelas já não abrem a rua é triste os cafés amargos a noite imensa e nós pequenos tão pequenos pequeninos. Cuida de ti cuida de ti cuida de ti. O chão tem migalhas a cortina é a mesma e o resto nada.
quarta-feira, 22 de janeiro de 2014
Ouve
Capitão, capitão, não tenho medo de morrer, desde que me tragas os olhos ciganos do meu primeiro amor e a primeira vez que senti um filho. Leva-me ao colo do meu pai e devolve-me uma tardinha morna em que esperava pela minha mãe. O dia em que ela chegou. Capitão, eu não tenho medo de morrer, desde que me tragas o muro onde escrevi datas de esperança e o blusão preto que me fez feliz a cabine telefónica a camisa de dormir verde com flores e o primeiro dia de tudo. Capitão, que o último seja outra vez o primeiro. E eu vou.
Tatuagem
Aquele exacto sítio, o café o barulho o vestido pendurado eu a gostar de vestidos a esperança lembras-te? Lembro-me. Na rua, os semáforos ficavam sempre verdes e continuava a ser tudo difícil. Mas. Um coração tão cheio continuar depois do vidro partido acreditar acreditar. Cantávamos. Gente e mais gente. O vinho era barato e então? E então. Bonito como deixou de ser. A calçada as coisas a resolver tudo se resolvia até apanhei um avião. Fui eu quem mudou. Apenas eu.
Laura
You say, that they’ve all left you behind
Your heart broke when the party died
Drape your arms around me and softly say
Can we dance upon the tables again?
When your smile is so wide and
your heels are so high
You can’t cry, put your glad rags on
And let’s sing along
To that lonely song
you’re the train that crashed my heart
You’re the glitter in the dark
Uh, Laura you’re more than a superstar
And in this horror show
I’ve got to tell you so
Uh Laura you’re more than a superstar
You say that you’re stuck in a pale blue dream
And your tears feel hot on my bed sheets
Drape your arms around me and softly say
Can we dance upon the tables again?
When your smile is so wide and your heels are so high
You can’t cry put your glad rags on and let’s sing along.
To that lonely song
You’re the train that crashed my heart
You’re the glitter in the dark
Uh, Laura you’re more than a superstar
You’ll be famous for longer then them
Your name is tattooed on every boy’s skin
Uh, Laura you’re more than a superstar
you’re the train that crashed my heart
You’re the glitter in the dark
Uh, Laura you’re more than a suṗerstar
And in this old horror show
I’ve got to let you know
Uh Laura you’re more than a superstar
domingo, 19 de janeiro de 2014
Domingo
Quando eu ando as minhas pernas têm muitos anos em todas as esquinas a desilusão. O miúdo olha as estrelas e pedimos os dois coisas impossíveis IMPOSSÍVEIS não doer tanto, ser tudo quando tudo podia ser ou então não saber de nada. "Aguenta", diz a criança. Com as pernas como mundos ingratos os olhos como rios de lodo as nódoas negras nas estradas e no meu sofá. Queria entender a razão de ser das coisas porque uns assim são e outros não, é como não entender a morte de inocentes. Ontem hoje ontem amanhã sempre uma tatuagem eterna. A comida desce como se não entendesse também ainda assim lavei a loiça e isso sabem lá é uma vitória do outro lado não sei. Deste lado, na minha rua, a minha ingenuidade é uma bandeira rasgada é por isso que pintei o cabelo de negro. Lembra-me de quando eu acreditava em cabelo negro em coisas bonitas quando o mundo parecia quase perfeito e eu nele tinha um lugar. Desculpem pessoas, como tu, doce M., que já me levaste ao colo nesta história, nas minhas palavras nas minhas ausências. Sabem lá, eu não sei dizer, não quero contar para não ser apenas mais uma história. Esta é a minha história. Feia e vulgar bela e gigante como todas as de palácio e as de casebre. Mas eu não fiz batota. Eu nunca fiz batota. Foi por isso que perdi?
Demasiado
Eu tinha um sonho. Era um sonho bonito. Foi muito estúpido durante demasiado tempo. Demasiado. Esta palavra em tudo. Demasiado tempo, demasiado bom, demasiado mau, demasiado torto, demasiado impossível. Virei-me ao contrário demasiado e demasiadas vezes. Era um sonho e comandou a minha vida como o homem canta. Tirou-me tudo este sonho demasiadas coisas durante demasiado tempo demasiada crença demasiada dor demasiados dias maus demasiada esperança demasiadas lágrimas demasiado contra mim. Este sonho era bonito. A vida é feia. Os actos das pessoas são feios. Só o sonho é bonito. Demasiado bonito.
quinta-feira, 16 de janeiro de 2014
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