segunda-feira, 19 de setembro de 2016
terça-feira, 12 de abril de 2016
segunda-feira, 28 de setembro de 2015
domingo, 30 de agosto de 2015
Antes
Antes de todas as vezes, comprava vestidos bonitos. É o meu aniversário, é o meu aniversário. Ríamos todos. Os meus amigos e os meus amigos. Usava perfume e as ruas eram estradas tão bonitas. Ríamos muito. Não foi assim há tanto tempo. Sobrou uma caixa. Às vezes, estou lá.
quarta-feira, 13 de maio de 2015
...
Falta-me tanto. Bocadinhos de coisas grandes. A rua a ondular debaixo dos pés, as coisas de todos os dias, cair de costas e as palavras. Sem que eu pedisse. a virem como lâminas doces, a abrirem caminhos, a serem importantes. Talvez não me falte nada. E seja só isto.
sábado, 11 de abril de 2015
Enlouquecer
Sabias que o mundo é meu? Caixas, tantas caixas na minha cabeça, muitas coisas que eu vi - sabias que vi muito e muito? Sou um pássaro que canta sozinho. Não me ligues e não me queiras, não me roubes, deixa-me voar, deixa-me, às vezes, pousar. Percebe-me. À minha volta há confusão, por dentro confusão, em volta confusão. Não sei ser coerente e esqueci-me de tudo. Eles dizem-me coisas, mas eu quero enlouquecer contigo. Só isto, enlouquecer contigo.
sexta-feira, 10 de abril de 2015
Descanso
Estamos velhos e já não podemos amar alguém. Foi demasiado. Esgotámos as palavras e as promessas. Eu sei e tu sabes. Os olhos encolheram, todos sabem disto. Por isso as mulheres se fazem velhas e os homens, só os piores, querem ser novos. Só quem amou de doença e de bondade e de tudo, enfim, se pode permitir envelhecer. Só ainda termos bastante pele nos confunde. Como eu queria que tudo isto que digo fosse mentira.
domingo, 22 de março de 2015
Entendimento
Há um silêncio que se impõe agora, arrumamos as cartas e os risos e esquecemos. Já não somos exactos.
quarta-feira, 4 de março de 2015
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015
Força
Eu tive a sorte de te ter nos braços e de te estar nos braços e isso que me levou tudo salvou-me do resto. Que venham furacões e coisas malditas que eu tive a sorte de correr para ti e o nosso caminho era o mesmo. Ainda que venham vazios e metades eu que tive a sorte de te ter nos braços e de te estar nos braços, estou a salvo de tudo.
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015
sábado, 10 de janeiro de 2015
segunda-feira, 1 de dezembro de 2014
Desconhecer
O que ficou e o desengano o absoluto deserto toda a loucura a dor isso será um segredo não contarei então pode ser que um dia na curva dos meus olhos tudo deixe de ser o que foi. O grande medo é saber que mesmo depois de muito irá voltar a doer e que não se esquece não se esquece tudo o resto fica escondido. Não vale a pena dizer que ainda há tempo quando já não há tempo esta é a minha história há-de ser a minha história sei isso como sei os dedos dos meus pés e todas as vezes que procurei alguém no espelho do retrovisor. É isto e eu sei disto por isso não quero tudo isso que me contam. Eu sei.. Eu sei. Eu sei. Queria tanto não saber.
terça-feira, 25 de novembro de 2014
Não sei fazer bolos
A minha cozinha é um sítio que me conhece descasco as batatas e choro para dentro da panela. Com a barriga encostada ao lava louça penso como fizeste avó como fizeste o jantar todos os dias com o coração a doer o medo a vida ao contrário? Como fizeste avó? A minha cozinha conhece todos os meus falhanços.
sábado, 22 de novembro de 2014
o amor é
o amor é bruto tem um cinto nas mãos o amor é torto tropeça e não me deixa dormir à noite o amor é velho e não me deixa fazer barulho o amor é rico e eu só uso roupa em segunda mão o amor é normal e eu sou estranha e penso difícil e preciso de imaginar o pior para que quando tu não vieres eu não morrer tu me bateres eu não morrer tu num caixão eu não morrer tu e a agulha eu não morrer tu o veneno para ratos eu não morrer tu a odiares-me eu não morrer tu tu tu. o amor.
Nunca é para sempre
Que tudo desapareça. Porque eu lembro-me de tudo. São como homenzinhos com picaretas na minha cabeça e no meu coração imagens que se repetem e repetem uns pés umas pernas uma camisa preta o café a rua as árvores em frente o Verão um vestido branco dias e dias e dias e dias e dias e dias. Tem de desaparecer. Os meses não acabam é uma loucura não sei como conseguem, os outros, continuar a caminhar. O medo e as dúvidas as certezas. As certezas. Que desapareçam os copos de cerveja e as noites as músicas que não sei os lençóis azuis escuros e os outros. a cozinha a tábua de alumínio onde se corta o pão a torradeira o meu coração partido o quarto ao lado o quarto ao fundo as mesas do café. Que morra que acabe que seja tudo há tanto tempo há tanto tempo e é agora. Que terminem os pesadelos deixa-me descansar deixa-me descansar deixa-me descansar.
sexta-feira, 21 de novembro de 2014
Dessentir
Não sinto nada. É isto, não sinto nada. As coisas mundanas e até os livros as séries e os filmes as conversas, não sinto nada. Sentam-se e levantam-se continuo sem sentir nada. Tenho pena de não saber compor música porque preciso de outra coisa para além de palavras um grito fininho, não não, um sussurro, uma campainha em fundo, um piano e o silêncio muitas vezes e depois se calhar outra vez o silêncio. Não sinto nada e, por isso, não sei dizer nada.
terça-feira, 11 de novembro de 2014
Menina
Amava-o. Houve um dia em que no meio do círculo da dor e da raiva, esperava por ele. Ouvi a chave na porta. O meu nome era esperança e certeza. Não sei se o que percebi primeiro foram os passos trôpegos ou o olhar vazio. Era ele e não era ele. Em vez de me salvar, como eu esperava, empurrou-me para o centro do círculo. Hoje senti o mesmo. Achava que quando crescíamos, o horror terminava. Fui uma menina.
sábado, 8 de novembro de 2014
?
Descobri, ontem, que tens razão. Já andava a concordar contigo, sem te dizer ou me dizer, mas ontem percebi que não sou doce que me esqueci de como é ser isso não sei bem porquê mas incomoda-me um bocado acharem que sou assim porque me fizeram mal fizeram-me mal? Sei lá. O que é isso do Mal ou Bem, o que é ser doce, o que é que eu faço de tão estranho digo coisas normais eu acho que são normais as pessoas acham piada ficam a olhar para mim espantadas e eu não percebo juro que não percebo ficam confundidas e eu gostava de vos dizer que vocês, são vocês que me confundem.
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